Ir para o conteúdo

Química da Diversão


Já dizia minha professora de Psicologia do segundo grau (agora chamado ensino médio): todo ser humano possui uma energia “extra” que deve ser gasta com diversão ou algo que lhe dê prazer. Foi essa lembrança que me trouxe inspiração para escrever este artigo.

Dentre as formas de diversão que nos dão prazer podemos citar as atrações dos tão queridos parques de diversão. Lá existem “equipamentos” capazes de desafiar o medo de todos nós, simples mortais. Assim como os esportes radicais, montanhas russas, elevadores gigantescos e rodopios exagerados fazem com que as pessoas, de diversas idades, superem – ou não – seus próprios limites.

E cada vez mais a população busca esse tipo de prazer. Além do crescimento da indústria da diversão no país, a ansiedade do dia-a-dia e os próprios medos do cotidiano (principalmente daqueles que moram em metrópoles como São Paulo) despertam-nos a necessidade de fugir do lugar-comum, do medo comum (se é que ele existe), e nos levam a outros tipos de desafio.

Estudando quem entende do assunto, descobri que sentir adrenalina correndo pelas veias é uma necessidade quase fisiológica. De acordo com pesquisadores do Memorial Hospital de Jerusalém, em Israel, que estudaram as reações do organismo em atividades radicais, um gene do cromossomo 11 justificaria o gosto constante pela aventura (mais explicações sobre o tal gene deixo para os graduandos em Biologia ou áreas afins).


Adrenalina Pura


Com minha pesquisa sobre as sensações causadas nos equipamentos radicais descobri que no corpo tudo começa quando as glândulas supra-renais se contraem, liberando corticóides que atuam no fígado. Eles quebram grandes moléculas de açúcar em glicose, produzindo energia imediata para a nossa reação. Do núcleo das supra-renais sai a famosa adrenalina, um hormônio que vai para a corrente sanguínea e aumenta as freqüências cardíaca e respiratória, além de dilatar as artérias que nutrem os músculos.


O professor Antônio de Pádua Teixeira, um dos primeiros palestrante do programa Playciência (uma das atrações do Playcenter que aplica o conceito de edutainment), explicava em suas apresentações que dessas mudanças fisiológicas é que surgiram expressões curiosas para a excitação nos momentos de medo e prazer. Sentir o “coração na boca”, por exemplo, é sinal do aumento dos batimentos cardíacos. A “garganta seca” deve-se ao envio de menos sangue para a glândula salivar, que passa a secretar uma saliva espessa. E “suar frio” resulta da diminuição da temperatura da pele, já que o sangue é concentrado nos músculos, cérebro, coração e pulmão, para fazer frente ao inimigo – o medo. Em uma reportagem especial sobre os equipamentos radicais de parques de diversão, o neurologista Ésper Cavalheiro, professor da USP, conta que no cérebro o perigo iminente libera a citada dopamina e a noroadrenalina, que alerta as várias regiões cerebrais. Os opiáceos cerebrais – endorfina, encefalina e dinorfina – também entram nessa ciranda. Dão a sensação de analgesia, bloqueando a dor, quando uma pessoa é ferida durante uma luta ou acidente, e respondem pelo bem-estar após o stress. “É a ação sinérgica dessas substâncias que, em algumas pessoas, dá o grande prazer de ir a um parque de diversões”, conclui o neurologista.

Lembra do tal gene do cromossomo 11 descoberto pelos israelenses? Eles explicam que esse gene pode confirmar a hereditariedade do espírito aventureiro, por exemplo, em famílias de acrobatas, trapezistas, ou mesmo pilotos de carros de corrida, como os memoráveis Fittipaldi (Émerson, Wilson e Christian), que colecionam vitórias na Fórmula 1 e na Fórmula Indy.

Mas você não precisa ser um artista de circo ou ter nascido na família Fittipaldi para se aventurar e ficar de cabeça para baixo nos trilhos dos radicais... Então, aproveite  e corra para um parque de diversão, para soltar a energia que existe em você!


Por: Valéria Lapa




www.parquedediversoes.com - Todos os Direitos Reservados - © 2002-2018 | Fale Conosco - contato@parquedediversoes.com
Todas as empresas e marcas aqui representadas são propriedades de seus respectivos donos, não possuímos vínculo comercial com as mesmas.
Voltar para o conteúdo